A forma como pesquisamos informação está a mudar.
Durante muitos anos, medir a visibilidade de um website significava sobretudo acompanhar posições no Google, impressões, cliques e tráfego orgânico.
Em 2026, esse cenário tornou-se mais complexo.
Experiências de pesquisa com inteligência artificial podem apresentar respostas geradas, resumos, recomendações e referências a websites antes de o utilizador visitar diretamente uma página.
Para uma empresa, surge então uma nova pergunta:
Como saber se a minha marca ou o meu website estão a aparecer nestas experiências?
A boa notícia é que já existem dados concretos que podem ajudar.
Google e Microsoft começaram a disponibilizar ferramentas próprias para compreender melhor esta nova forma de visibilidade.
Neste artigo explicamos o que deve medir, onde encontrar os dados e porque GEO não deve ser tratado como substituto do SEO.
O que significa “visibilidade em pesquisas com IA”?
Visibilidade em pesquisa com IA pode assumir várias formas.
O conteúdo de um website pode, por exemplo:
- aparecer como fonte numa resposta gerada;
- ser apresentado através de um link numa experiência de IA;
- contribuir para uma resposta baseada em várias fontes;
- ser citado diretamente;
- surgir em pesquisas relacionadas geradas pelo próprio sistema;
- receber posteriormente visitas provenientes dessas experiências.
Por isso, medir apenas tráfego pode não contar toda a história.
Uma página pode estar a ser apresentada ou utilizada numa experiência de pesquisa sem gerar imediatamente um clique.
É importante distinguir três conceitos:
Impressão: o conteúdo foi apresentado numa determinada experiência.
Citação ou referência: determinada página foi utilizada como fonte numa resposta.
Clique ou visita: o utilizador decidiu entrar no website.
Estas métricas não significam a mesma coisa.
E uma citação também não significa automaticamente que uma página tem maior autoridade ou melhor ranking.
Google Search Console já permite medir visibilidade em IA
Em junho de 2026, o Google anunciou relatórios específicos de performance para recursos de IA generativa no Search Console.
Inicialmente lançados de forma limitada, estes insights passaram a estar disponíveis globalmente a partir de 31 de agosto de 2026.
Os relatórios permitem analisar a presença de páginas em experiências como AI Overviews, AI Mode e funcionalidades generativas no Discover.
Entre os dados disponibilizados encontram-se:
- impressões;
- páginas apresentadas;
- países;
- dispositivos;
- evolução ao longo do tempo.
Para uma pequena empresa, isto significa que já é possível deixar de tratar a visibilidade em pesquisa com IA como algo completamente invisível.
Existem agora dados fornecidos pelo próprio Google.
O que deve procurar no Search Console?
Não olhe apenas para o número total de impressões.
Comece por identificar quais páginas estão a aparecer.
Por exemplo, imagine que uma empresa publica:
- uma página sobre um serviço;
- um guia aprofundado;
- uma página de perguntas frequentes;
- um estudo;
- um artigo comparativo.
Se determinado guia começar a surgir regularmente em experiências generativas, isso pode indicar que o conteúdo está a responder a necessidades reais dos utilizadores.
Depois compare:
Que páginas aparecem mais frequentemente?
Procure padrões.
Os conteúdos mais visíveis são guias? Páginas de serviço? Artigos técnicos? Estudos?
Analise a evolução no tempo
Uma semana isolada raramente é suficiente para tirar conclusões.
Compare períodos maiores.
Por exemplo:
- últimos 28 dias;
- período anterior;
- três meses;
- evolução após uma melhoria significativa de conteúdo.
Isto ajuda a distinguir crescimento consistente de pequenas oscilações.
Analise países e dispositivos
Se trabalha sobretudo em Portugal, confirme se a visibilidade está relacionada com o mercado que realmente pretende atingir.
Da mesma forma, diferenças entre desktop e mobile podem ajudar a compreender como o conteúdo está a ser descoberto.
Bing Webmaster Tools também oferece dados sobre IA
A Microsoft lançou em fevereiro de 2026 o AI Performance no Bing Webmaster Tools.
A funcionalidade permite analisar como conteúdos de um website são utilizados em experiências como Microsoft Copilot, respostas geradas no Bing e determinadas integrações parceiras.
ntre as informações disponíveis estão:
Citações
Quantas vezes uma página é referenciada numa resposta suportada pelas experiências abrangidas.
Páginas citadas
Que URLs do seu website estão efetivamente a ser utilizadas.
Grounding queries
Termos ou consultas que o sistema utilizou durante o processo de recuperação de informação.
Tendências
Evolução da atividade de citações ao longo do tempo.
Esta informação pode ser particularmente interessante para perceber que tipo de pergunta está a levar os sistemas até ao seu conteúdo.
Uma citação não é um ranking
Este é um detalhe muito importante.
Não transforme automaticamente:
“Esta página recebeu 20 citações”
em:
“Esta é uma das páginas com maior autoridade.”
O próprio Bing esclarece que o número de citações indica quantas vezes uma página foi referenciada, não a sua importância, posição ou ranking.
O mesmo cuidado deve ser aplicado a outras métricas relacionadas com IA.
Estamos perante sinais de visibilidade.
Não perante uma pontuação universal de qualidade.
SEO continua a ser a base
Com o crescimento de termos como:
- GEO;
- AEO;
- AI SEO;
- Generative Engine Optimization;
pode parecer que surgiu uma disciplina completamente separada do SEO.
Não é assim tão simples.
O Google afirma atualmente que as boas práticas tradicionais de SEO continuam relevantes para as suas experiências de pesquisa generativa, uma vez que estas recorrem aos sistemas de pesquisa e qualidade já existentes.
Continuam portanto a importar elementos como:
- rastreabilidade;
- indexação;
- estrutura técnica clara;
- experiência mobile;
- velocidade;
- conteúdo útil;
- arquitetura do website;
- informação atualizada;
- redução de conteúdos duplicados.
Uma página que o motor de pesquisa tem dificuldade em encontrar ou compreender não ganha uma vantagem especial simplesmente porque alguém passou a chamar à estratégia “GEO”.
Então onde entra o GEO?
Na RankVera, tratamos GEO — Generative Engine Optimization como uma extensão da estratégia de pesquisa, e não como uma substituição do SEO.
Há algumas áreas que merecem particular atenção.
Clareza das entidades
Um sistema deve conseguir compreender:
- quem é a empresa;
- o que oferece;
- onde atua;
- quem está associado à marca;
- quais são os seus produtos ou serviços;
- como diferentes páginas e informações se relacionam.
Uma presença digital inconsistente dificulta esse trabalho.
Conteúdo verificável
Afirmações concretas devem, sempre que possível, poder ser fundamentadas.
Por exemplo, existe uma diferença importante entre escrever:
“Somos a melhor agência de SEO de Portugal.”
e apresentar informação factual sobre:
- serviços;
- processos;
- experiência;
- metodologia;
- casos de estudo;
- fontes;
- períodos de medição.
A segunda abordagem é muito mais útil para utilizadores e sistemas de pesquisa.
Conteúdo original
O Google também reforçou em 2026 a importância de conteúdo que acrescente algo além da informação genérica já existente.
Perspetivas próprias, experiência real, exemplos e conhecimento especializado podem tornar um conteúdo mais útil do que simplesmente reescrever aquilo que dezenas de páginas já dizem.
Isto torna-se ainda mais importante numa Internet onde é extremamente fácil produzir centenas de artigos semelhantes através de IA.
Que métricas deve acompanhar?
Não é necessário criar um “GEO Score” artificial.
Para uma PME, eu começaria com um conjunto relativamente simples de indicadores:
Pesquisa tradicional
- impressões;
- cliques;
- CTR;
- queries;
- páginas;
- posição média, quando relevante.
Pesquisa generativa Google
- impressões em experiências de IA;
- páginas apresentadas;
- evolução temporal;
- países;
- dispositivos.
Bing / experiências Microsoft
- páginas citadas;
- número de citações;
- grounding queries;
- tendência das citações.
Website
- sessões orgânicas;
- páginas visitadas;
- contactos;
- pedidos de orçamento;
- chamadas;
- contactos via WhatsApp;
- conversões relevantes.
O objetivo final não deve ser acumular uma métrica de IA bonita num dashboard.
Deve ser perceber se a presença digital está a aproximar o negócio das pessoas certas.
Cuidado com ferramentas que prometem “ranking de IA”
Começaram a surgir muitas ferramentas que prometem medir:
- posição no ChatGPT;
- autoridade de IA;
- probabilidade de citação;
- GEO Score;
- ranking universal em inteligência artificial.
Algumas podem ser úteis para monitorização ou investigação.
Mas estas métricas devem ser interpretadas com cuidado.
O Google alerta explicitamente que ferramentas externas não têm acesso aos seus sistemas internos de ranking ou IA.
Uma ferramenta própria pode criar uma metodologia útil.
O que não deve fazer é apresentar essa metodologia como se fosse uma pontuação oficial do Google, Microsoft ou de um modelo de IA.
Preciso de criar ficheiros especiais para IA?
Também aqui existem muitos mitos.
Por exemplo, o llms.txt tornou-se popular como proposta para disponibilizar informação estruturada a sistemas de IA.
Pode ser mantido quando fizer sentido para sistemas que decidam utilizá-lo.
Mas não deve ser tratado como um requisito para aparecer na Pesquisa Google.
Nas orientações atuais, o Google inclui ficheiros de texto específicos para IA, como llms.txt, entre as táticas que não são necessárias para otimizar as suas funcionalidades generativas.
Por isso, a prioridade deve continuar a estar no website real:
conteúdo, estrutura, clareza, evidência, acessibilidade e SEO técnico.
Um processo simples para uma pequena empresa
Se gere uma pequena empresa, não precisa de transformar isto num projeto altamente complexo.
Pode começar desta forma:
- Configure corretamente o Google Search Console.
- Configure o Bing Webmaster Tools.
- Identifique as páginas que já recebem visibilidade.
- Procure conteúdos que respondam a questões importantes dos clientes.
- Melhore páginas fracas em vez de criar centenas de páginas novas.
- Adicione informação própria, exemplos e evidência sempre que fizer sentido.
- Garanta consistência entre website, Google Business Profile e restantes perfis oficiais.
- Acompanhe a evolução mensalmente.
O mais importante é criar uma linha de base.
Sem saber onde está hoje, é difícil perceber se uma alteração realmente funcionou.
SEO + GEO: medir antes de prometer
A pesquisa está a mudar e as empresas devem acompanhar essa mudança.
Mas isso não significa abandonar tudo o que sabemos sobre SEO.
Pelo contrário.
Os novos dados disponibilizados por Google e Microsoft mostram que estamos a entrar numa fase em que é possível analisar melhor a presença de conteúdos em experiências com IA.
Isso permite substituir parte da especulação por evidência.
Na RankVera, acreditamos que uma estratégia responsável de SEO e GEO deve começar precisamente aí:
medir, compreender, melhorar e voltar a medir.
Não podemos garantir que uma empresa será citada numa resposta de IA.
Nem podemos garantir que determinada página aparecerá numa experiência generativa.
Podemos, no entanto, trabalhar a qualidade técnica, clareza, conteúdo, presença da marca e dados disponíveis para criar uma presença digital mais sólida.
Quer perceber como a sua empresa está preparada para a pesquisa com IA?
A RankVera pode ajudar a analisar a sua presença atual em pesquisa, SEO técnico, conteúdo, entidades, sinais públicos da marca e oportunidades relacionadas com SEO + GEO.
Começamos por perceber o estado atual antes de recomendar alterações.
